Friday, November 12, 2004

Um Adeus Português 

Há mortes e mortes, há as de ir e não voltar, como esta...
Não mais haverá uma luta personificada num rosto bem disposto, descontraído, que apertou a mão a Yitzhac Rabin de sorriso solícito, voluntarioso. Não mais alguém ficará entrincheirado no seu quartel subsistindo a ataques tão frequentes como a qualquer outro sítio onde existissem palestinianos. Não mais haverá quem não precise de apelar à união dos ultrajados para que ela aconteça, cheia de uma esperança que agora morre... morre depois de Arafat porque é a última a morrer. Morre como muitos palestinianos morreram, ingloriamente, deixando escoar toda a garra do inconformismo por entre os dedos de uma mão cerrada de dor, de um peito aberto e sim, de um corpo decepado por uma bomba detonada pelo próprio. Porque o mundo não ouve de outra forma. Porque o mundo é cego.
Descanse em paz, ao lado direito de Deus, sabendo este muito bem porque não o traduzem do árabe Alá de cada vez que o seu nome é referido!

Uma vítima do massacre de Jenin, perpetrado pelo exército israelita. Tinha 9 anos.

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